
Domingo, 22/11/2009, 5:45 da manhã, o alarme toca e eu penso – é hoje!!! Acordo, tomo um banhão para despertar e um bom café, preparo minhas tralhinhas (chip, gel, água, etc) e sigo para o Centro Cívico. Mistura de frio na barriga, com aquele sentimento de não sei o que vou encontrar pela frente, do desconhecido. Será que eu supero ou ele me engole? Falei pra minha fiel parceira que ficaria no apoio:
Objetivo número 01: Completar a prova em aproximadamente 04 horas.
Objetivo número 02: Não caminhar.
Objetivo número 03: Completar a prova do jeito que der.
Definidos os objetivos, chegamos ao local da prova. Ouvi uma turma conversando que a largada da prova seria as 7:30. Olho para frente e vejo a mulherada correndo. Caramba, já foram? Apressei o passo na certeza de que a largada era as 8:00h. Mas poderia ter me enganado – não me enganei, era as 8:00 mesmo, mas que a gente pensa pensa... É a adrena. Dei uma passada na tenda da BPM (minha assessoria), e na dos Corredores de Rua de Curitiba para ver os amigos.
Me despedi da Cil com um longo boa sorte e me alinhei para a largada. Vários amigos, abraços, cumprimentos, previsões e brincadeiras para quebrar o gelo – largamos!!!
Aquela muvuca toda, e o primeiro km foi fechado em 6`. Não era isso que eu queria, mas tinha mais 41 para tirar a diferença. Achei vários amigos, inclusive o Miguel e sua turma, da equipe BALEIAS, o Walter, alguns colegas de blog, incusive o Luís (depois me passe seu e-mail para mantermos contato), quebra esquina daqui, sobe dali, sobe novamente e seguimos firmes. Achei um amigo que me incentivou a praticar esportes, logo no início de tudo, agradeci pelo seu apoio e por estarmos ali correndo juntos naquele momento, coisa que eu não imaginaria de forma alguma há dois anos atrás... Espero repassar isto para alguém.
Segui ao lado do meu amigo Alberto, no seu ritmo, que previa fechar a prova em 3:50:00h. Mas o garotinho estava envenenado e eu preocupado em me manter para não quebrar. Sumiu na muvuca, não deu pra mim. Passamos pelo Museu Oscar Niemeyer e no Km 06, retornando pela Cândido de Abreu, vi a Cil novamente, á postos para as fotos, dei um oi e segui tentando encaixar meu ritmo. Passei alguns, fui passado por outros, conversa daqui, dá um grito dali e não achei ninguém no meu ritmo. Pensei comigo, porque era tão difícil achar alguém para correr junto? No km 11-12, após a descida da praça do Japão e da desistência de Adriano Bastos (ainda não sei o motivo) encontrei a Cil novamente!!
Ah, e a previsão do tempo que era de pancada de chuva?? Nem protetor solar eu passei!!! E o sol saiu rachando... Quente demais!!! Água pra dentro, água na cabeça, gel (tinha um pouquinho na cabeça sim sr, Pablo Bravo!!! Heheheheh – mas este era do outro.) e seguindo em frente. Amigos no caminho, vários pontos de hidratação – cada 3km – a água as vezes gelada, outras não. Achei alguns amigos do RJ, POA, DF, amigos do orkut e fomos interagindo, correndo cada um no seu ritmo. Mas foi uma corrida totalmente diferente, tentando concentrar num ritmo uniforme, não na velocidade.
Os motoristas estavam como pit bulls, irritados, bravos, buzinando e sem paciência. Isto era lugar comum em todas as esquinas.Agrada-se uns e desagrada-se outros. Cil de novo, aproximadamente no km 17, foi uma surpresa, pois estava fora do combinado,me trouxe uma garrafinha com malto geladinha e me fui....
Km 21... Metade da prova... 1:55`h baixos. Feliz achando que estava dentro do tempo previsto. Sossegado, inteirão e com vontade de fazer pipi!!! Me escondi atrás da ambulância e fogo!!! As esponjinhas com água acabaram e o calor estava me acabando. Realmente uma maratona não são duas meias, lembrei-me disso no Km 25 – onde a minha fasceíte avisou poderia me atrapalhar. Começou o pepino. O que animou um pouco foi um sr com uma mangueira dando banho na galera!! Devia ter uma câmara para registrar. Muito legal, todo mundo pedindo bênção pra ele, molhando a cabeça, tomando banho!!
Pensei comigo, como alguns reclamam e outros ajudam? Apoio constante nas ruas, palmas, alguns moradores com bala de goma, água e torcida organizada cantando parabéns (isso mesmo – parabéns pra vc...)!! Show!! Você sente-se importante!! Huhaihaiuahauuiah!!!
Fasceíte dá lembranças novamente e eu aproveito para caminhar um pouco... Já pensava neste momento somente no objetivo número 03, porque a partir do começo da dor, achei que teria que abandonar a prova não muito a frente. Uma bolha em cada dedão e segue o baile! Nem que estourem!!
Achei a Cil novamente, perto do Shopping Palladium, dei um teco na malto, comi um pedaço de uma power bar, e segui... Mais uma subida, outra descida... Poucos trechos planos e eu só pensava em terminar... Km 28 - o motor bate - náuseas, tontura, sei lá o que que deu, pois estava tomando o gelzinho cada 30, 40 minutos, me hidratando e me refrigerando perfeitamente.... Sei lá se o psicológico contribuiu negativamente neste momento, pois meu recorde de rodagem era 28k (em um ritmo menor logicamente e em terreno mais plano). Concentrei passada e respiração e fui, Minha água acabou rapidinho, e perto do Km 30 havia distribuição de frutas. E cadê a água? A menina me fala que só no Teatro Paiol. Deveria dar uns 5km a frente... Me desesperei, bateu o desespero! Não havia casas, nem torneiras, nem nada aberto... Só portas de lojas fechadas, e eu nem me liguei que logo a frente havia um posto – fechado, mas tinha torneira né? Molho a cabeça e reabasteço meu squezze. Caramba, como a falta d’agua neste momento faz o cara pirar. E o pior, não fui só eu!! Imagine quem comeu banana, misturada a sede e sem água pela frente, debaixo daquele solão. Bom, para ter idéia, a Cilmara comprou quatro garrafas d’agua e distribuiu todas antes do km 31 para o pessoal que estava mal bem ali neste ponto... Antes de eu chegar. Um sr desmaiou na sua frente. Achei-a novamente no km 31. Pensei em desistir. Muita gente caminhando, um senhor passando mal e a ambulância não chegava, que rolo. Tomei uma coca e revigorei!! Peguei meu fone de ouvido do bolso do cinturão encaixei e fui... Caramba, o som e a coca e a Cil me revitalizaram!!!
Comecei a encaixar o ritmo novamente, passar a turminha e ter confiança... A dor no pé e no ombro foram embora de vez, após um relaxante muscular. Subida ( a maioria caminhando), descida, mais uma subida forte perto da Metrosul e do TRE e me fui...
Perto da rodoviária, um apoio especial da turma do CRC, que acompanhavam os amigos, foi fundamental. E em poucos instantes o sol some e o tempo nubla. Garoa, trovões e uma pancada forte de chuva. Daquelas que chegam a arder no lombo. O meu tempo já tinha ido pro brejo. Km 38, subida do viaduto do Capanema, com chuva, vento e trovoadas... Eu dei risada!!! É o batismo. Lembrei da meia de Foz. Entrei na Visconde, ritmo bom (para aquela hora – excelente) dobrei a esquina e lá na frente um menino segurava a placa dos 40K, Que alegria. Mais água, força e esperança de chegar e quem que eu vejo presa no congestionamento??? A Cil!!! Tirou mais algumas fotos de dentro do carro, o guarda de trânsito brigou com ela, foi aquele rolo!! Huhauhuihaha!!
Me animei pra última subida, sabendo que ela estava bem – e seca - e entrei na reta final. Aí vem força sei lá de onde!!! Fui com tudo. A chuva espantou a turma da arquibancada, mas a minha fã estava lá!! Pausa para homenagear o Antonio Nunes na linha de chegada e corri pro abraço.
Agradeci a Deus, senti vontade de chorar, mas não tinha mais lágrimas – o líquido do meu corpo havia ficado todo na pista. Sei que esta sensação valeu todo o esforço, e apesar de ter furado os objetivos 1 e 2, terminei em 4:30h (não era o que eu queria, mas foi o que deu pra fazer mesmo), bem acima do esperado, mas sem cãibras, sem outras dores, a não ser meu pé direito e ombro, e com muita alegria por ter cruzado a linha de chegada.
Realmente uma maratona é para quem tem estrada, rodagem, coragem, paciência, controle e persistência. Aprendi isso hoje e vou me aperfeiçoar muito. Valeu a lição. E o legal é que a partir de hoje, já tenho uma base para montar a estratégia e treinos para a próxima, que eu jurei no Km 30 não existiria mais!! Heheheheheheh, Mas é assim, o prazer de cruzar a linha de chegada, nos faz esquecer todas estas promessas bobas.
Agradeço de coração aos amigos que me apoiaram, torceram, incentivaram e estiveram ao meu lado (mesmo que virtualmente) nesta prova....
Que venha a próxima!!
Final de prova, um banhão, restaurante sem limite, coca e cama, até agora há pouco.
Que felicidade!!
Abração do mais novo blogueiro maratonista!!!