A festa começa na semana do evento. Para alguns, mais uma prova, talvez como a última 10K que eu fiz, que não deixa de ser importante, conta com a presença de vários amigos, o clima de festa, porém, para mim, uma corrida normal, pois o costume faz com que o brilho da estréia, da primeira vez, vá se apagando com o decorrer do tempo. Mas para quem está começando, o início, a estréia, é uma mistura de excitação, curiosidade, programação, de nada pode dar errado, com um frio na barriga onde não sabe-se o que acontecerá exatamente... Para piorar um pouco, na sexta, pela manhã, ao levar as rodas da bike com a intenção de trocar os pneus meia vida por novos, esqueci as duas encostadas no pára-choque traseiro do carro, e na pressa de ir para o serviço, sei lá porque cargas d’água, esqueci completamente de sua presença ali, fora do carro, engatei a ré e fui.... Pqp!!! Aparentemente nenhum estrago, mas o pior de tudo foi descobrir que a roda dianteira da bike havia entortado somente na sexta á noite, quando coloquei-a no garfo para testar... Com os freios totalmente abertos, não rodava!!! Imaginem como eu (não) dormi esta noite... Sábado pela manhã, fui correndo resolver meu problema e (ufa!!!), nada grave, Aproveitei para um reaperto e lá fomos nós! Com a companhia de alguns amigos e da minha amada Cilmara, fomos á Guaratuba após o meu trabalho, na parte da tarde. Clima de alegria e festa, todo mundo muito feliz e contente!!!


Chegamos em Caiobá e depois de mais de uma hora na fila para a travessia do ferry-boat, conseguimos que um amigo pegasse nosso kit e voltamos para casa sem fazer a travessia, para jantarmos e dormirmos um pouco.

Revisei o material da prova e os equipamentos umas quatro ou cinco vezes. Dormi muito pouco, e neste pouco que dormi, sonhava com a prova. Muito nervoso.Não comi muito no café, pois estava preocupado com a natação...

No domingo, acordamos cedo e fomos para Guaratuba (ficamos em Caiobá, cidade vizinha). Força total, energia e disposição. A maioria do pessoal que se seguia nesta direção tinha uma bike á tiracolo. Festa total, todo mundo animado e entusiasmado!
- A PROVA


Chegamos com meia hora de folga aproximadamente, pegamos nossos kits (camiseta, pulseira – não tinha chip!!! – número da bike e touca de natação – de uma prova anterior (desafrio), mas tudo bem, nada iria estragar a festa!!), fomos para a pintura dos números, colocamos as bikes em seus lugares e segui aquecer um pouco. O tempo fechou e começou a garoar...Na areia, encontrei um amigo blogueiro, o Fábio (abaixo),
muito gente boa e também mais um amigo que faz parte da minha assessoria, o Maurício. Nos apresentamos e fui aquecer.
Entrei no mar a fim dar algumas braçadas e sentir o clima. A primeira bóia (eram três, em forma de U) me parecia muito distante. Comecei a ficar com medo. Quando atravessei a arrebentação, parei um pouco... Sem dar pé, sem ver nada embaixo d’água além do alcance do meu braço, meu medo aumentou, talvez pelo trauma de quase me afogar há algum tempo atrás, quando um amigo e eu fomos atravessar de um canto para outro em uma praia de Sc. Que sentimento xarope. Voltei, meio ressabiado, com medo de não conseguir finalizar os 750m. Rezei um pouco. A Cil, vendo minha cara de preocupação me confortou. Fiquei mais firme. O meu maior medo era a natação, pois na bike e na corrida, já tinha certeza de que pelo menos eu completaria a distância proposta.

A turma se alinhou para a largada e eu fui para o canto, seguindo o conselho dos meus amigos blogueiros mais experientes (Sica e Rui – Iron Shark). Largamos, deixei a turma de lado e fui fazer minha natação. Engraçado como que durante o aquecimento senti a água fria e depois, na largada, não senti nada. Fui controlando as braçadas, a respiração, as pernas e vizualizando a primeira bóia. Passei a primeira, passei a segunda, algumas pernadas nos outros, algumas braçadas em mim, vai mais pra lá, empurra, nada um pouco mais pra cá, e tudo se acerta. Foi quando pensei, bom, na segunda bóia, estou mais ou menos na metade da distância... Apertei um pouco mais a braçada, pois estava inteirão e a respiração bem tranqüila. Rendeu, mais que o esperado.

Meu melhor tempo na piscina era 15:45”, finalizei a natação em 14:40”. Fui para a transição, levei a sapatilha na mão, correndo descalço, calcei-a na faixa do “monte” e fui pro pedal. Foi muito melhor que a do Duathlon.


Tentei manter o giro acima de 85rpm, de preferência nos 90, perto de 35/36 Km/h. porém, devido aos cotovelos e curvas, não foi fácil. Primeira curva, depois de uns 500m aproximadamente, a turma do primeiro pelotão, derrapa no asfalto úmido e causa um acidente horrível. Teve um atleta que foi para o hospital, outra que teve que ser atendida pela ambulância ali mesmo. Pensei comigo, vou ter que cuidar um pouco mais na nos retornos e curvas. Como eram quatro voltas de 5K, haviam muitas curvas e retornos.

Mais alguns Kms e um atleta que queria me ultrapassar, caiu no retorno. Um pouco a frente meu amigo Jader cai sozinho. Sorte que parou de garoar. Eu quase parava nos retornos, contornava e acelerava o que dava. Muita gente na rua, torcida... Aquela festa.
Evitei os pelotões e não deixei ninguém colar em mim. Finalizei em 40:40”. com a transição incluída.. No relógio da bike, minha média ficou em 29,8 km/h. Nova transição, consegui tirar a sapatilha em cima da bike (parece fácil, mas não é tanto – quase enrosquei o fecho na coroa maior), cheguei na área de desmonte a saí correndo. 
Me senti muito melhor que no dia do Duathlon. Saí correndo (eram 3 voltas) e peguei carona com meu amigo, o prof. Jader, que já vinha em sua segunda volta, num bom ritmo. Tentei acompanhá-lo, mas meu pé voltou a dar sinais que tive uma fasceíte há três meses atrás. Que lembrança triste!!! Tive que diminuir... Cada volta a minha torcida particular me incentivava mais. Que festa. Na segunda volta, senti que o pé deu uma melhorada e acelerei um pouco. Deu até para dar um sprintzinho depois dos gritos do meu amigo Aaram... Fechei os 5K em 23:40 aproximadamente (com a transição junto)...
Pensei que ia chorar na chegada, de tanta emoção, mas nem deu tempo!!! Só deu tempo para curtir aquele momento especial, o meu batismo, a primeira medalha de triathlon... I N E S Q U E C Í V E L !!!!! Que sensação gostosa, que momento mágico. Deu certo!!! Fechei em 1:19:01”


Sei que não é uma prova longa, ou um objetivo inatingível, porém, foi suado, literalmente para ser realizado. Foram muitos treinos, encaixes de horários, economias para compra de equipamentos, disciplina e quantas vezes, a válvula de escape para o stress diário, e ainda mais - uma forma de mostrar que eu poderia, provando para mim mesmo que era possível. Para os meus objetivos programados, foi uma antecipação de um sonho que seria realizado no ano de 2010. Agora posso me preparar melhor, treinar mais, fazer novos amigos, dividir novas experiências!!!
Só tenho que agradecer a todos que me apoiaram na busca deste sonho. À minha linda Cilmara, que sempre me aturou e apoiou e à todos meus treinos e manias. E à Deus, por me conceder esta experiência maravilhosa...
Agora, foco na Maratona 2009.
Abração e obrigado, de coração, á todos que me ajudaram.